O FOSSO
Hoje vou falar de colegas de trabalho. Chego à conclusão que encontrar uma equipa de trabalho perfeita e ao mesmo nível é um mito urbano. Acontece que nunca, repido, nunca iremos estar verdadeiramente satisfeitos com quem trabalhamos. Eu, por exemplo, nunca me enquadrei em lado nenhum. Das duas uma: ou tenho um gravíssimo problema de adaptação ou confirma-se a minha suspeita de que o Homem é um animal quando interage vários dias seguidos com os seus semelhantes (veja-se os problemas entre condóminos). Por melhor que seja a nossa boa vontade, encontraremos sempre um defeito num colega: ou porque tem o 9º ano e é um borrego, ou tem a mania que é um erudito, ou come de boca aberta, ou é um usurpador, ou convecido, ou egoísta, ou mentiroso, ou assume os créditos do trabalho dos outros, ou é graxista, lambe botas, demasiado falador, chato, gozador ou é um velho convencido que tem 21 anos ou é simplesmente melhor que nós. É um mundo cão este do trabalho entre pessoas. É impossível conviver 8 horas diárias durante anos e anos sem criar monstros sedentos de arrancar olhos à dentada na primeira oportunidade. Neste momento estou a trabalhar numa nova agência, somos 9 ao todo, o que é bastante melhor que no meu emprego anterior onde tinha apenas 1 colega (um porreiro por acaso) e a vaca da administradora. Claro está, já comecei a encontrar defeitos… o administrador, é muito simpático e atencioso, mas é igual ao vocalista dos "Ena Pá 2000" e forma bolsas de saliva nos lábios enquanto fala; um do accounts tem a mania que é um jovem, pergunta-me sempre o que estou a ouvir porque gosta da música (naquela de criar empatia) e é incansável nas piadolas ridículas que só ele acha graça; o designer e o estagiário, para além de acharem um máximo piadas sobre “rabetas e panilas” e músicas dos Ena Pá 2000 (mais uma vez) e “Comme Restus”, uma banda de 1986 cuja single se chama “Amanda-me com a pachacha pelo dentes” (e começa com um suave: "lava-me os dentes com o teu flúido vaginal..."), passam o tempo a comentar cenas de filmes do Adam Sandler (que abomino) e sketchs do Gato Fedorento na Tv (idem)… a outra account tem 30 anos e fala à criança de 3 anos (tipo: “gande” em vez de “grande” ou "tinta" em vez de "trinta") e diz “aquaise” em vez de “quase” e acaba todas as palavras com "tes" (fizestes, perguntastes, enviastes); o outro sócio, também designer, é porreiro, mas soa-me que também anda numa crisezinha de meia idade pois é daqueles que vibra connosco, ou melhor, com todos os outros menos eu, acerca de Pink Floyd, Joy Division e filmes de ficção ciêntífica (maus, tipo "UnderWorld") e com termos proferidos num inglês macarrónico; finalmente temos a recepcionista, que mora na Tapada da Mercês e comprou casa com o seu namorado bombeiro e adora desatres de motas contra rails de separação e corpos cortados às tiras… Concluindo, existe um gigantesco fosso cultural entre nós. Não quero ser mal interpretado. Não me sou pedante nem convencido, não quero dizer que seja mais ou menos inteligente que eles ou vice-versa. Quero apenas dizer que é complicado encontrar as pessoas certas para trabalhar, que partilhem gostos e interesses comigo, que desafiem a minha criatividade e inteligência. Pessoas que me dêem pica. Digam-me, como vou formar uma dupla criativa com o gajo que só ouve Ramstein, Sepultura, Comme Restus, odeia ler e adora filmes do Adam Sandler e Gato Fedorento (na TV, não no blog, atenção)?
Hoje vou falar de colegas de trabalho. Chego à conclusão que encontrar uma equipa de trabalho perfeita e ao mesmo nível é um mito urbano. Acontece que nunca, repido, nunca iremos estar verdadeiramente satisfeitos com quem trabalhamos. Eu, por exemplo, nunca me enquadrei em lado nenhum. Das duas uma: ou tenho um gravíssimo problema de adaptação ou confirma-se a minha suspeita de que o Homem é um animal quando interage vários dias seguidos com os seus semelhantes (veja-se os problemas entre condóminos). Por melhor que seja a nossa boa vontade, encontraremos sempre um defeito num colega: ou porque tem o 9º ano e é um borrego, ou tem a mania que é um erudito, ou come de boca aberta, ou é um usurpador, ou convecido, ou egoísta, ou mentiroso, ou assume os créditos do trabalho dos outros, ou é graxista, lambe botas, demasiado falador, chato, gozador ou é um velho convencido que tem 21 anos ou é simplesmente melhor que nós. É um mundo cão este do trabalho entre pessoas. É impossível conviver 8 horas diárias durante anos e anos sem criar monstros sedentos de arrancar olhos à dentada na primeira oportunidade. Neste momento estou a trabalhar numa nova agência, somos 9 ao todo, o que é bastante melhor que no meu emprego anterior onde tinha apenas 1 colega (um porreiro por acaso) e a vaca da administradora. Claro está, já comecei a encontrar defeitos… o administrador, é muito simpático e atencioso, mas é igual ao vocalista dos "Ena Pá 2000" e forma bolsas de saliva nos lábios enquanto fala; um do accounts tem a mania que é um jovem, pergunta-me sempre o que estou a ouvir porque gosta da música (naquela de criar empatia) e é incansável nas piadolas ridículas que só ele acha graça; o designer e o estagiário, para além de acharem um máximo piadas sobre “rabetas e panilas” e músicas dos Ena Pá 2000 (mais uma vez) e “Comme Restus”, uma banda de 1986 cuja single se chama “Amanda-me com a pachacha pelo dentes” (e começa com um suave: "lava-me os dentes com o teu flúido vaginal..."), passam o tempo a comentar cenas de filmes do Adam Sandler (que abomino) e sketchs do Gato Fedorento na Tv (idem)… a outra account tem 30 anos e fala à criança de 3 anos (tipo: “gande” em vez de “grande” ou "tinta" em vez de "trinta") e diz “aquaise” em vez de “quase” e acaba todas as palavras com "tes" (fizestes, perguntastes, enviastes); o outro sócio, também designer, é porreiro, mas soa-me que também anda numa crisezinha de meia idade pois é daqueles que vibra connosco, ou melhor, com todos os outros menos eu, acerca de Pink Floyd, Joy Division e filmes de ficção ciêntífica (maus, tipo "UnderWorld") e com termos proferidos num inglês macarrónico; finalmente temos a recepcionista, que mora na Tapada da Mercês e comprou casa com o seu namorado bombeiro e adora desatres de motas contra rails de separação e corpos cortados às tiras… Concluindo, existe um gigantesco fosso cultural entre nós. Não quero ser mal interpretado. Não me sou pedante nem convencido, não quero dizer que seja mais ou menos inteligente que eles ou vice-versa. Quero apenas dizer que é complicado encontrar as pessoas certas para trabalhar, que partilhem gostos e interesses comigo, que desafiem a minha criatividade e inteligência. Pessoas que me dêem pica. Digam-me, como vou formar uma dupla criativa com o gajo que só ouve Ramstein, Sepultura, Comme Restus, odeia ler e adora filmes do Adam Sandler e Gato Fedorento (na TV, não no blog, atenção)?
6 Comments:
é possível sim. raro, mas possível... keep on hoping, my boy! Don't give up!! ;)
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Patsy Dear, at 5:53 PM
é preciso é ter mta calma... os piores são os 'trolhas de fatinho'... acho que nunca passei por pior do que isso...
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pedro, at 6:05 PM
É verdade. Não existe um ambiente de trabalho perfeito. Mas o melhor mesmo é quando nos apercebemos desse facto. A partir daí vemos que não temos outra hipótese senão adaptarmo-nos a um sistema, de maneira a parecer-mos funcionários perfeitos, passiveis de dispensar psicotécnicos e afins. Não há nada mais seca que isso
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Conchita, at 12:21 AM
Eu tenho uma pseudo-budista com aspirações a chefia e a grandes volumes de dinheiro, uma ex-hospedeira do bronx com aspirações trés chiques dona das verdades universais, uma monga-esperta com aspirações a subir na carreira sem mexer uma palha, e um ex-porreiro que se revelou beto com aspirações a parecer muito inteligente e competente. Receio bem que equipa de trabalho e perfeição não caibam na mesma frase. Esforço-me por ir vendo o outro lado deles, o lado em que vou conseguindo encaixar. Só assim o dia-a-dia é possível. Ainda assim, se tiveres algum para a troca... :)
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Carla, at 1:29 PM
Eu tive a melhor equipa de trabalho deste mundo. Era eu, um gato e um vaso com um cato.
O gato comeu o cato, morreu do cato e eu fiquei de gatas!
Por isso trabalho em casa, às horas que me apetece, a minha equipa defunta está toda enterrada no fundo do vaso e gozo que me farto com o facto que haver quem ainda sinta vontade de sair prá rua aturar colegas que lafam "percebestes" e acounts que contam piadas a parecerem-se com iogurtes fora de prazo ou colegas de "assoalhada" que ouvem cenas de música tipo "deixa-me lamber-te a Minie".
Foram 20 anos de agências pás! 20 anos é muito tempo de piadas de panilhas, de música tipo "dá-me xutos na puta da mona" e de patrões convencidos que eram publicitários e afinal não passavam de merceeiros a aviar os fregueses. Faz como eu, torna-te independente!
Passas é a viver sempre com o coração em ansias para pagar a casota e ter mais do que culturas de fungos no frigorífico. Mas nada que não se aguente por um pouco de liberdade.
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Noel Santa Rosa, at 3:12 AM
COMME RESTUS EH ALTAMNTE!!!
EU SOU O BELZEBU! I VOUTE COMER O CU!!!
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pulha, at 10:44 AM
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